Saturday, April 24, 2010

Cincorrupção: Gravações dos escândalos em Brasília

Brasil

9/12/2009
Brasil

Cinecorrupção

O escândalo de corrupção que ameaça limar do poder o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do Democratas, começou a se desenhar em junho. Acossado por 32 processos na Justiça, o ex-delegado e então secretário de Relações Institucionais do governo local, Durval Barbosa, decidiu contar tudo que sabia ao Ministério Público de Brasília. Em troca, ele espera diminuir sua pena. Durval denunciou um milionário esquema de desvio de dinheiro público no governo do DF, que envolvia o pagamento de mensalão aos deputados locais. O ex-delegado entregou às autoridades vídeos de conversas que manteve nos últimos anos com políticos, empresários e lobistas, nas quais seus interlocutores – inclusive Arruda – recebem dinheiro vivo e articulam negociatas. Na semana passada, vieram a público alguns trechos desses diálogos, que causaram estupor na opinião pública. VEJA teve acesso à totalidade do acervo entregue pelo delator ao MP. A seguir, uma seleção com sete conversas inéditas – e a íntegra do espantoso diálogo do governador do DF com o delator.

Vídeos:
"Paulo Octávio pediu para mandar alguma coisa"Abraço amigo
Nota queimadaRacha na quadrilha
Panetone milionário"Contratei por que o Roriz pediu"
"Pago ou não pago?"Piratão

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"Paulo Octávio pediu para mandar alguma coisa"
Marcelo Toledo, operador clandestino do governo Arruda, diz a Durval que o vice-governador precisa de mais dinheiro.

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Nota queimada
O empresário Abdon Bucar, dono de uma produtora que presta serviços para o Democratas e para o governo de Brasília, reclama do atraso no pagamento de “750 mil do PFL”. E conta que precisou destruir uma nota fiscal fria, usada para esquentar dinheiro sujo na campanha de Arruda ao governo local, em 2006.

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Panetone milionário
Em setembro de 2006, durante as eleições, Arruda despacha com Durval Barbosa, então seu coordenador de campanha. Nos 23 minutos de conversa, além de receber um pacote de dinheiro vivo, que disse ter usado para comprar panetones, o então deputado e candidato ao governo apronta de tudo. Pede emprego para o filho, pede ajuda para uma empresa-amiga, pede cuidado na arrecadação da campanha... "Estou com medo desse troço aí", diz Arruda, em referência à coleta clandestina de dinheiro. Ao final do encontro, Arruda fala ao celular com o então governador Joaquim Roriz, a quem promete "levar uns documentos" – segundo Durval, propina. Em seguida, Arruda confidencia ao delator que o pagamento em questão relaciona-se a um misterioso voto no Tribunal Superior Eleitoral.

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"Pago ou não pago?"
O chefe da Casa Civil do governo do DF, José Geraldo Maciel, consulta Durval a respeito de pagamento de propina a aliados – e informa que Arruda ordenou que a Brasif, empresa ligada ao DEM, faturasse uma licitação. "Esse pessoal (da Brasif) vai assumir os compromissos com você", explica Maciel. Por "compromissos", entenda-se dinheiro.

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Abraço amigo
A empresária Cristina Boner, empresária do ramo de informática, abraça Durval Barbosa depois que o ex-secretário informa que realizará um contrato emergencial, sem licitação, com a empresa dela, a TBA.

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Racha na quadrilha
Ex-chefe de gabinete e amigo do governador Arruda, o lobista Renato Malcotti admite a Durval que participa de um esquema de corrupção na Secretaria de Saúde do DF. Eles criticam os "exageros" do PPS, que comanda a Secretaria, no achaque aos empresários do ramo.

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"Contratei por que o Roriz pediu"
O deputado Benício Tavares, do PMDB, admite ter fraudado uma licitação, quando era presidente da Câmara Legislativa, em favor da agência SMP&B, do lobista Marcos Valério. Diz que agiu a pedido do ex-governador Joaquim Roriz. Ele aproveita a conversa e pede a Barbosa que facilite sua entrada num esquema de corrupção comandado pelo secretário de Transportes, Alberto Fraga.

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Piratão
Durval Barbosa entrega 20 mil de propina a um homem identificado por ele como Paulo Roberto, do departamento de Transporte de Brasília, referente ao acerto de uma licitação na área.

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