Saturday, February 23, 2008

O caldeirão dos Bálcãs

Wednesday, February 20, 2008

A INTEGRAÇÃO DO PT AO ESTABLISHMENT MUDOU O EIXO DA POLÍTICA BRASILEIRA

A INTEGRAÇÃO DO PT AO ESTABLISHMENT MUDOU O EIXO DA POLÍTICA BRASILEIRA


17/02/2008 | Paulo G. M. de Moura

O Partido dos Trabalhadores (PT) surgiu no final da década de 1970 fugindo ao padrão da cultura partidária nacional. Ao contrário dos demais partidos brasileiros, em geral nascidos a partir de grupos políticos detentores de fatias do poder de Estado, o PT nasceu fora do parlamento e do governo. Sua origem política é a revisão das estratégias de luta pelo poder da esquerda após o fracasso dos métodos de luta armada de socialistas e comunistas nas décadas de 1960 e 1970. Sua origem social é a ruptura de um setor do sindicalismo com a estrutura sindical da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), herdada do período do Estado Novo. 

A mão “invisível” da Igreja Católica movimentou peças estratégicas para o sucesso da trajetória de ascensão do PT ao poder. A ponta de lança do processo foi a projeção nacional da liderança do então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, Luis Inácio da Silva. Lula, o ex-sindicalista que preside o Brasil hoje, nasceu para a política a partir de 1977, como principal liderança da onda de greves operárias do ABC paulista, região que, à época, concentrava as principais fábricas de automóveis do país no setor que era o carro-chefe da economia nacional. 

Sob estímulo da Igreja, de organizações políticas internacionais e usando os sindicatos como alavanca, Lula patrocina a fundação do Partido dos Trabalhadores sob alegação de que a experiência lhe ensinara que a luta sindical era insuficiente para a conquista de melhorias econômicas e sociais para a classe trabalhadora. 

Atendendo ao chamado do líder sindical, setores sociais abrigados nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica aderem ao PT. Logo são seguidos por segmentos da classe média urbana, notadamente de funcionários públicos, de lideranças do meio universitário e de profissionais liberais, num contexto de crise econômica, hiperinflação e empobrecimento das camadas sociais de média e baixa renda. Acorrem também ao PT, lideranças de grupos ambientalistas, feministas, de minorias sexuais e raciais que na época recém surgiam. O espectro de composição da base social do PT completa-se com a adesão de grupos políticos de esquerda, em sua maioria, dissidentes do PCB. Naquele período, já se faziam presentes os sintomas da crise do socialismo realmente existente que levou ao fim da URSS em 1991. 

A retórica petista de então afirmava o PT como sendo expressão política dos movimentos sociais emergentes. O PT se definia ideologicamente por reflexo e negação aos modelos partidários referenciados nas II Internacional (de orientação social-democrata e identificada com os partidos socialistas) e III Internacional (de orientação marxista-leninista e identificada com os partidos comunistas). Esgueirando-se entre imprecisas balisas retóricas, os petistas se caracterizavam vagamente como um partido democrático e socialista, sem nunca aprofundar o debate em torno de definições mais precisas quanto ao seu perfil ideológico e programático. 

A fórmula da identidade construída por negação aos modelos socialistas existentes permitia acomodar dentro de uma mesma organização, grupos políticos que, sob outras circunstâncias, se fragmentariam em torno de divergências ideológicas irrelevantes. Finalmente, a presença no interior do PT de segmentos de classe média urbana, especialmente do meio universitário, levou o partido a incorporar ao seu arsenal retórico, ainda que em segundo plano, o debate de temas contemporâneos tais como a defesa das minorias, do meio ambiente, da autonomia da sociedade em relação ao Estado, dentre outros. 

No entanto, ainda que negasse seus vínculos com os partidos de tradição socialista e comunista; que admitisse a autocrítica das experiências de luta armada da esquerda latino-americana das décadas de 1960 e 1970, e que, em seu interior segmentos intelectuais debatessem a questão da democracia, o PT nunca definiu uma posição programática clara com relação à vigência da democracia em seu virtual projeto de poder. 

O PT seria um partido revolucionário ou reformista? Os petistas estariam dispostos a respeitar e a se submeter às leis do jogo democrático? Ou seguiriam admitindo a ruptura institucional e aceitando o recurso à violência com meio legítimo de luta política? Ao chegarem ao poder, expropriariam a propriedade privada ou conviveriam pacificamente com a liberdade de mercado? 

Interrogações como essas até hoje não receberam respostas claras nos documentos oficiais que registram as diretrizes programáticas da organização. Da mesma forma, ainda que se opusesse retoricamente à experiência das economias de comando estatal centralizado da extinta URSS, da China, de Cuba e da Coréia do Norte, e que parte dos seus ideólogos admitam certo grau de atividade de mercado numa sociedade “socialista” idealizada, o PT nunca definiu claramente, também, uma posição programática oficial com relação à economia de mercado. 

Essas e outras indefinições ideológicas não impediram que o PT vivesse uma trajetória de crescimento e institucionalização rápida em comparação com outras estruturas partidárias da história política brasileira. De fato, essas definições vão se impondo ao PT, como resultado das respostas táticas que seus dirigentes constroem para enfrentar os desafios da luta política conjuntural. Esse artifício, inclusive, tem sido importante para o diálogo que o PT abriu com outros setores sociais, o que não ocorreria se as restrições à democracia e a liberdade econômica cultuada por muitos de seus membros fossem explicitadas com clareza em seu programa. 

Com pouco tempo de existência e utilizando-se de uma estratégia de competir por votos sem se coligar com partidos que não fossem de esquerda, e de se aliar a esses somente se estivesse na cabeça das chapas, o PT carimbava todos os seus adversários com a pecha de “farinha do mesmo saco”. Valendo-se da má imagem dos políticos e do descontentamento de amplas parcelas da sociedade com os governos do período inflacionário no período da abertura democrática, o PT diferenciou-se de seus competidores e tornou-se referência central do sistema político brasileiro, assumindo a condição de legenda relevante e eleitoralmente competitiva em curto espaço de tempo. 

Nas eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998, o PT teve a oportunidade real de chegar à Presidência da República tendo como candidato, nessas três oportunidades, seu fundador e líder maior, o ex-metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva. Mesmo derrotado nessas três eleições presidenciais, o PT cresceu institucionalmente, ampliou sua representação parlamentar nos três níveis de poder municipal, estadual e federal e conquistou bancadas parlamentares, prefeituras e governos de estados, tornando-se um referencial político central do insipiente jogo democrático iniciado após o final do regime militar de 1964. Ao longo desse período penetrou eleitoralmente nos pólos modernos da economia brasileira e na classe média urbana para, em 2002, na quarta tentativa, conquistar a Presidência da República. 

Fruto dessas circunstâncias o PT tornou-se um dos principais partidos brasileiros, com representação forte em boa parte dos estados e municípios do país, constituindo-se, assim, num dos pilares fundamentais da democracia brasileira contemporânea. As posições políticas, ideológicas e programáticas que o PT defende e pratica, são, portanto, fundamentais para os destinos da democracia no Brasil. 

Estando no poder, o PT impôs sua agenda ao país e fez com que suas posições de jogo influenciassem as decisões táticas e estratégicas de seus adversários. A ação dos adversários do PT tem sido, em geral, reação conjuntural às ações do governo petista. Apenas recentemente setores da oposição partidária começaram a esboçar uma agenda política estrutural alternativa capaz de posicioná-los como competidores pelo poder à altura da superioridade estratégica do PT. 

Tendo crescido boa parte de sua história fora do aparato estatal, o PT precisou montar uma organização fortemente enraizada na sociedade, além de buscar formas alternativas para financiar suas atividades, diferentes daquelas usadas pelos partidos tradicionais, que recorrem à ocupação de posições no aparato público para captar recursos junto aos fornecedores do Estado. Com apoio dos sindicatos, de organizações internacionais ligadas à Igreja e à esquerda, o PT criou suas fontes iniciais de financiamento. 

A penetração nos sindicatos, associações de bairro, agremiações estudantis e entidades de classe, através de núcleos de militantes organizados, forneceu ao PT uma base social aguerrida e convicta que se constituiu, no passado, no grande diferencial competitivo desse partido em relação aos seus adversários. Para uma organização com pouco mais de 20 anos de existência, chegar à Presidência da República de um país grande e complexo como o Brasil e se reeleger controlando apenas cerca de 200 dentre as mais de 5 mil prefeituras brasileiras, foi um feito sem precedentes. 

Quem vê o PT hoje, no entanto, terá dificuldades para encontrar nesse partido as características do seu passado. Tanto mais quanto mais penetrou no aparato do Estado patrimonialista - seja pela via eleitoral, seja pela infiltração de seus membros na direção dos fundos de pensão das empresas estatais e outros órgãos públicos - mais foi consolidando a formação de uma oligarquia partidária que, hoje, controla a máquina política sem adversários internos à altura de seu poder. A moderação do discurso e o abandono da retórica radical do período fundacional se comprovam pelo estudo dos documentos partidários ao longo desse período. 

Assim, o PT abandonou seus compromissos históricos para agir segundo a lógica de seus interesses de preservação da máquina política e das posições de jogo que garantem à burocracia partidária o acesso a cargos no Estado. De “partido construído de baixo para cima” o PT converteu-se em “partido do Estado”. O controle de posições na máquina estatal que possibilite administrar fatias do orçamento público e definir a alocação de verbas tornou-se sua meta central; a forma de financiamento de suas atividades e, ao mesmo tempo, o meio de ascensão social e política individual dos burocratas. 

Esse processo atingiu seu apogeu no momento em que a cúpula petista percebeu que, após perder três eleições presidenciais seguidas com um discurso esquerdista e uma política de alianças restritiva, Lula só chegaria à Presidência da República pelo voto se o PT abandonasse o discurso do passado e assumisse o risco de expor à visibilidade pública suas reais fontes de financiamento; as mesmas que denunciava em seus adversários. 

As propaladas tentativas de “re-fundação” e recomposição dos laços perdidos com os movimentos sociais após os escândalos de corrupção que vieram á tona em 2005 não ultrapassaram o terreno da retórica. Em sucessivos episódios de disputa interna, os defensores dessas posições foram derrotados por ampla maioria pelo grupo de Lula e José Dirceu. A atual direção política do PT, recentemente reeleita, derrotou seus adversários internos por uma maioria de 65%, ampliando o controle sobre a máquina partidária dois anos depois dos escândalos do mensalão, que abateram importantes dirigentes petistas e levaram à cassação dos direitos políticos do ex-primeiro-ministro da Justiça de Lula. Principal dirigente partidário do PT depois do atual presidente da República, José Dirceu segue comandando seus liderados e controlando o poder no partido. 

Segundo editorial da Folha de São Paulo do dia 18 maio de 2005, “dois anos depois de o PT conquistar a Presidência da República, a contribuição obrigatória proveniente de seus filiados cresceu mais de sete vezes. As contas relativas a 2004, apresentadas pela legenda ao Tribunal Superior Eleitoral, mostram que essa modalidade de arrecadação atingiu R$ 3,32 milhões no ano passado, contra R$ 341 mil em 2002. Considerada a inflação do período, o aumento foi de 730% e seria maior, caso os números levassem em conta a parcela extraída dos parlamentares petistas, que é contabilizada separadamente. (...) O extraordinário crescimento dos recursos provenientes do ‘dízimo’ indica uma considerável elevação do número de militantes petistas empregados na máquina pública. É natural que partidos políticos alojem seus quadros em posições relevantes do Estado quando chegam ao poder. Num país como o Brasil, no entanto, que se ressente de uma burocracia pública mais organizada e estável, esse processo não raro resvala para o empreguismo e o ‘aparelhamento’ da estrutura governamental. No que tange ao PT, este último processo é o que mais tem despertado críticas. Há uma percepção generalizada de que o partido adotou uma estratégia de ocupação maciça de postos na máquina pública. Residem nisso, aliás, alguns dos problemas que abalam as relações entre o Executivo e a chamada base aliada. Embora conte com menos de 20% dos votos no Legislativo federal, o PT, segundo estimativas de políticos ligados ao próprio governo, contaria com cerca de 80% dos cargos com efetivo poder decisório. Esse condenável processo de politização da máquina estatal contraria os bons princípios republicanos e tende a se revelar nocivo ao bom desempenho técnico do setor público.” 

A reeleição de Lula está consolidando a simbiose entre o PT, o Estado patrimonialista e a elite econômica e política nacional. Se, por um lado, a presença no poder mudou o PT; por outro lado, o poder do PT mudou o Brasil. O longo período à testa do Estado permitiu aos petistas imporem sua agenda ao país e tecerem laços sólidos com segmentos expressivos do PIB nacional, cujos interesses jamais foram contrariados por Lula. 

A não ser alguns empresários que possuíam negócios ligados aos esquemas do PSDB no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, nenhum interesse significativo de quaisquer segmentos relevantes do PIB nacional foi ferido pelas ações e decisões do governo Lula. Pelo contrário, ocorreu a constituição e consolidação de laços de interesse e de vínculos políticos entre a nata do empresariado nacional e o PT. Os sucessivos recordes de lucratividade dos bancos são apenas a prova mais evidente do processo mais profundo e menos visível de uma aliança alicerçada entre os interesses políticos pragmáticos do PT, e os interesses econômicos pragmáticos e imediatistas dos agentes econômicos cujos negócios dependem do Estado. Lula é, pessoalmente, o avalista dos contratos políticos. José Dirceu é, pessoalmente, e especialmente depois de sair do governo, o seu “articulador”. 

O substrato para a viabilidade dessa aliança é a cultura política patrimonialista que, desde 1500, galvaniza as relações entre os agentes econômicos e o Estado brasileiro. Os políticos profissionais são os traficantes de influência dos interesses privados junto aos negócios públicos. O agenciamento de decisões de governo; dos resultados das licitações de compras e contratações do Estado, das decisões sobre a alocação de investimentos e da liberação de crédito barato para grandes investidores são a fonte do capital político dos inquilinos do governo. 

Sem compreender a natureza e a essência desse processo os adversários do petismo jamais conquistarão o posicionamento político estratégico correto e imprescindível ao enfrentamento de um agente político cujo poder está assentado sobre alicerces estruturais dessa natureza. Sem partir dessa avaliação qualquer resposta às ações do PT será conjuntural; de curto alcance, e, se ocasionalmente vier a causar danos ao partido à testa do Estado, esses serão rapidamente sanados pelo detentor do controle estrutural do processo político. 

O PT deixou de ser um partido anti-sistema para ser, não apenas um partido do sistema, mas o pilar central do novo contrato político que rege as relações de dominação da elite que controla o poder de fato no país, por dentro e por fora do aparato do Estado. Para os detentores do poder econômico e político real, o personagem “operário-presidente” exerce papel mais eficaz como representante de seus interesses no teatro político das aparências, do que exercia a social-democracia tucano-pefelista sob oposição ferrenha dos petistas. 

Sob essas circunstâncias e enfrentando seus adversários de hoje, se Lula quiser tentar um terceiro mandato, receberá aval dos verdadeiros donos do poder para prosseguir no exercício desse bem recompensado papel. A vulnerabilidade do petismo é, exatamente, a virtual inexistência de um substituto capaz de representar, com a mesma eficácia, o personagem “Lula”. Será essa vulnerabilidade insanável? 

Difícil saber. Mas, é fácil constatar que a esperança de voltar ao poder por parte da oposição partidária ao petismo, apóia-se mais nessa vulnerabilidade do PT do que em sua competência estratégica ou no interesse de romper o contrato de dominação política vigente. O objetivo de José Serra e Aécio Neves é substituir Lula. Não é romper as bases estruturais patrimonialistas hegemônicas na cultura política nacional. 

Um segmento importante da oposição ao PT no terreno ideológico, com notória expressão de opinião em blogs e sites na internet, parece não ter chegado a essa compreensão; central para orientar o enfrentamento político e ideológico estrutural desse pacto de poder. 

Acusações e denúncias “direitistas” sobre o “esquerdismo enrustido de Lula” e os vínculos do PT com as FARC, com Hugo Chávez e o Foro de São Paulo, causam cócegas e riso em Lula e José Dirceu. O “contrato social” patrimonialista firmado entre o PT e as elites econômicas nacionais, com aval da maioria dos eleitores, sequer é tocado por esse discurso ineficaz. Quem assiste as “cenas do próximo capítulo” das novelas a Globo e conhece os artifícios da estrutura mecânica dos enredos, não precisa ver a novela para saber seu desfecho. Quem lê o primeiro parágrafo de certas “análises” da conjuntura política brasileira sob o governo de Lula, não precisa ir além. O enredo é óbvio e nada agrega à percepção de quem só vê as obviedades aparentes. 

Há riscos evidentes à liberdade e à democracia nas relações que o petismo mantém com forças políticas autoritárias, beligerantes e que preservam os vícios da esquerda tradicional que já governou projetos totalitários fracassados e hoje e cultiva interfaces com o crime. Esses riscos não devem ser menosprezados e muito menos se deve deixar de combatê-los. Mas, a retórica panfletária e simplista é ineficaz para esse fim, e, portanto, errada como método de luta política de quem pretende defender a liberdade, os direitos individuais, os valores republicanos, o federalismo e a democracia no Brasil. 

O combate no terreno das idéias é parte do enfrentamento. Mas, o que se precisa desfazer é cortar a raiz da base patrimonialista da cultura política brasileira. Aí reside o poder da estadocracia que controla a sociedade brasileira desde 1500, e com a qual o petismo contraiu matrimônio tendente a durar até que a morte - política - os separe. Sob esse ponto de vista, é inevitável constatar que há adversários na trincheira da oposição estrutural a esse pacto de poder. Isto é, no campo dos que se opõem ao governo Lula há forças políticas que não se opõem às bases estruturais da matriz patrimonialista. Apenas desejam substituir o PT no exercício do mesmo papel que o petismo exerce no contrato patrimonialista. 

A luta política em defesa da liberdade, dos direitos individuais, da cultura republicana e federalista e da democracia é mais longa, mais complexa e mais difícil do que aquela que se requer para derrotar um partido em uma ou duas eleições apenas, portanto. 

Os defensores da liberdade e dos direitos individuais no Brasil são minoria ínfima que esgrime contra os inimigos da liberdade argumentos ideológicos cunhados nos séculos XVIII, XIX e XX, quando se constituiu a sociedade urbana e industrial que vive seu ocaso. Sem incorporar ao seu arsenal da luta política e ideológica a atualização imprescindível à compreensão do novo contexto histórico em que se trava a luta em defesa dos valores fundadores da civilização ocidental moderna naquilo que ela tem de mais generoso, não há eficácia possível. 

A reação das forças políticas totalitárias é uma ameaça constante. O terrorismo, o fanatismo religioso, o neopopulismo, as interfaces do crime organizado em escala global com as forças sociais detentoras do poder de Estado e a desmoralização da Política são partes dessa nova realidade. A presença da reação totalitária na cena política contemporânea apresenta facetas múltiplas, contraditórias e inusitadas. A realidade está rompendo os paradigmas estruturais do passado moderno. A compreensão dessa nova realidade deve acompanhar a mudança a partir de outros paradigmas teóricos. 

Em sociedades em transição como a atual, os valores morais e as instituições sociais e políticas são fragilizados pelos ventos da mudança. Num contexto em que se afrouxam os mecanismos civilizatórios de controle dos apetites e ambições incontidos dos animais políticos que lutam pelo poder e pela riqueza em todos os tempos e em todas as sociedades, as ameaças à liberdade pululam por todos os lados; esgueiram-se pelas fendas do terreno irregular e movediço da realidade cambiante. A retórica panfletária não lhe interpõe obstáculo; não lhe opõe o devido e merecido combate. 

A reprodução dos artigos de autoria do editor desse site aqui publicados é autorizada desde que citada a fonte com endereço do site www.professorpaulomoura.com.br.   

Sunday, February 17, 2008

Os artigos: Eduardo Graeff -José Dirceu e carta DANIELA PINHEIRO


Vão-se os sonhos, ficam os anéis

EDUARDO GRAEFF

folha SP 24/1

Encarem a realidade: com todo o entusiasmo que proclamam pela Revolução Cubana, hoje o negócio de Lula e Dirceu é outro

"BURGUESIA burocrática" era como o historiador Caio Prado Jr. chamava o empresariado caudatário dos favores do Estado varguista. Fernando Henrique Cardoso falou em "anéis burocráticos" para se referir às relações especiais das grandes empresas com a área econômica do governo no tempo da ditadura. Delfim Netto foi senhor desses anéis, agenciando negócios e distribuindo proteção tarifária e subsídios como todo-poderoso ministro da Fazenda do general Médici. 
Os americanos chamam "crony capitalism" a alavancagem de negócios por relações pessoais e/ou troca de favores entre empresários e altos funcionários públicos. Eles depreciam nesses termos quase todas as variedades de capitalismo que não vestem o figurino liberal, do Japão à América Latina, passando pelos tigres asiáticos e pela África. Não que os Estados Unidos estejam livres da praga. Veja as ligações empresariais do clã dos Bush, para ficar num exemplo atual. 
Tudo isso me vem à cabeça a propósito de duas notícias recentes: reportagem da revista "Piauí" sobre as andanças de consultor internacional do ex-ministro José Dirceu; e a compra da Brasil Telecom pela Telemar, acertada na expectativa de que um decreto de Lula virá legalizar a transação. 
Foi Dirceu quem ligou uma coisa à outra. Ele mencionou para a revista uma conversa que teria tido com Lula sobre os milhões investidos pela Telemar na firma de videogames do filho do presidente. E citou entre seus clientes o empresário mexicano Carlos Slim, cuja Telmex teria sido preterida na compra da Brasil Telecom. 
Lula teria mandado Dirceu não "encher o saco" com o tema da sorte grande de Lulinha. Na certa se irritará de novo se for questionado agora. 
Chateação indelegável, já que precisam da assinatura dele no decreto que beneficia quem beneficiou seu filho. 
Chato mesmo é intuir que isso pode não ser a exceção, mas uma nova regra nas relações do governo com grandes empresas. Veja o que acontece no setor elétrico. 
Questionado sobre sua trajetória de revolucionário a consultor de empresas, Dirceu se queixou de que não teve escolha após perder o mandato de deputado e os direitos políticos. 
Quem sabe ele está esperando a chuva passar, como na encarnação de negociante que teve no interior do Paraná. Quando o sol da revolução voltar a brilhar no horizonte, ele pega um avião para Havana ou Recife e pede para o cirurgião: "Desfaz essa cara de consultor e implanta aí uma barba". 
Bizarro, mas improvável. Encarem a realidade, companheiros e companheiras: com todo o entusiasmo que proclamam pela Revolução Cubana, hoje o negócio de Lula e Dirceu é outro. Em 2002, quando contrataram os serviços de Marcos Valério e Duda Mendonça, fizeram uma opção séria. 
Seu mergulho no mundo dos negócios não é camuflagem passageira, é para toda a vida. Só que o mundo dos negócios que eles têm na cabeça não é bem o capitalismo liberal. Não sei como eles mesmos chamariam. "Capitalismo dos bons companheiros"? 
O sistema emergente pode não ter nome, mas tem justificativa e modelo: Coréia do Sul. Lá, o governo se lixa para a ortodoxia liberal. Intervém no mercado, banca vencedores, subsidia perdedores. A corrupção é grande, dizem. Mas o capitalismo coreano é um sucesso de crescimento e inovação. 
Esprema algum alto funcionário do governo Lula metido em altas transações e ele pode sair com a mesma história de Dirceu na "Piauí": facilitar negócios, abrir portas para investidores, é tudo pelo bem do Brasil. No caso da telefonia, para criar megaempresa nacional que faça frente às estrangeiras. Qualquer outro bônus é secundário perto da satisfação patriótica. 
Não tenho fé no capitalismo liberal. 
Nem sei bem por que o capitalismo não liberal é um sucesso na Coréia, um horror na África e, no Brasil de Delfim Netto, foi do sucesso à crise em dez anos. 
Duas coisas eu sei. Primeiro, a concorrência faz bem ao capitalismo, sobretudo ao consumidor. O sucesso da Coréia tem a ver, parece, com a capacidade que governo e grandes empresas tiveram de se organizarem para concorrer no exterior. Lula poderia assinar decreto para ajudar a Telemar a se expandir... no México, por exemplo. E não detonar as regras de concorrência da telefonia brasileira -herança bendita do governo FHC. 
Segundo, capitalismo não liberal não combina com democracia. Pois não se fia na estabilidade e impessoalidade das regras, mas em favorecimentos pessoais. E é muito arriscado fazer investimentos de longo prazo nessa base se pessoas e partidos no governo mudam a cada quatro ou oito anos. A não ser, talvez, se os negócios alavancados gerarem dinheiro para cooptar aliados, amaciar a imprensa, comprar eleições etc. Mas aí não estamos falando de democracia, não é? 
Não, pelo menos, da democracia pela qual lutamos. Será que esse foi outro sonho do qual os novos senhores dos anéis abriram mão? 


EDUARDO GRAEFF, 58, é cientista político. Foi secretário-geral da Presidência da República no governo FHC.

Os sonhos estão mais vivos do que nunca

JOSÉ DIRCEU

folha 13/2

O governo Lula, repito, recebeu uma herança maldita. Ainda são muitas as minas deixadas no caminho pela fatídica gestão anterior

A MENTIRA é um recurso inesgotável na política, desde que seus autores tenham acesso aos meios de comunicação para disseminá-la como fato. O célebre mantra do propagandista-chefe do nazismo, Joseph Goebbels, segundo o qual uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, continua a fazer escola. Fiz a constatação ao ler o artigo com o título "Vão-se os sonhos, ficam os anéis", publicado neste espaço, no último dia 24, assinado por Eduardo Graeff, secretário-Geral da Presidência no governo tucano do presidente Fernando Henrique Cardoso. 
No artigo, Graeff recorre a trecho de reportagem a meu respeito publicada na revista "Piauí", na qual erroneamente é associada ao filho do presidente da República, Fábio Luiz da Silva, critica minha a um jornalista por conta do acompanhamento estapafúrdio que fazia sobre o governo em seu trabalho jornalístico. Evidentemente, ao falar de reportagens erradas, com declarações atribuídas a mim e ao presidente sem que as tivéssemos prestado, eu não poderia estar me referindo a Fábio Luiz, que não é e nunca foi jornalista. 
Na reportagem, a revista registra um fato não ocorrido: uma reclamação minha ao presidente da República sobre negócios entre a empresa de seu filho, Gamecorp, e a Telemar. Desmenti isso à revista e em nota pública. O que fiz foi protestar, em diversos momentos, contra o tratamento leviano que vários meios de comunicação deram ao negócio absolutamente legal entre essas companhias, com o objetivo único de desgastar o chefe de Estado. 
Mas Graeff, em seu artigo, não se contentou em lançar mão de informação desmentida por mim. Ao fazê-lo, inventou episódios que nem sequer estão presentes na reportagem, ressaltando que eu teria mencionado "uma conversa com Lula sobre os milhões investidos pela Telemar na firma de videogames do filho do presidente". Essa mentira vulgar serve de escada para conclusão pré-fabricada pelo ex-secretário-geral da Presidência, de que trocamos, o presidente e eu, nossos compromissos de esquerda pelo "mundo dos negócios". Seu mote, para tanto, é o processo de aquisição da Brasil Telecom pela Telemar, que pode ser chancelado pelo governo nos próximos dias, especulando que tal decisão seria moeda de troca pela publicidade desta companhia na Gamecorp. 
A hipocrisia tucana não conhece limites. Quer dizer que a intervenção do governo na reestruturação da economia e dos monopólios, quando ocorre, é por motivação escusa? O que se deve concluir, então, das privatizações feitas pela administração FHC? Devemos procurar nas contas de ex-ministros e antigos auxiliares os motivos para o governo tucano ter dilapidado patrimônio público, desorganizado o Estado e travado o desenvolvimento do país? Bom assunto para a polícia, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Além do mais, o crime de lesa-pátria, cometido pela coalizão PSDB-DEM ao vender empresas estatais na bacia das almas, é o mais hediondo de todos, porque atenta contra os direitos do povo e ameaça a soberania nacional. Em outras circunstâncias históricas, seria razão suficiente para os responsáveis por esses atentados contra os brasileiros estarem respondendo por suas malfeitorias na Justiça. 
O governo Lula, repito, recebeu uma herança maldita. Faz parte desse inventário macabro a abertura descontrolada de nossa economia e do sistema de telecomunicação ao capital internacional, a quem os tucanos revelaram inédita submissão. Não está em pauta, evidentemente, a recuperação do controle estatal sobre companhias privatizadas, mas é obrigação do governo intervir para bloquear e reverter a desnacionalização de setores fundamentais da economia. O desastre patrocinado pelo tucanato foi tão grave que, cinco anos após a posse inaugural do presidente Lula, ainda são muitas as minas deixadas no caminho pela fatídica gestão anterior. Esse é o pano de fundo que mobiliza a administração federal na discussão da compra da Brasil Telecom pela Telemar. 
No mais, como pode o senhor Graeff questionar meu direito de trabalhar para viver? Banido da vida institucional no curso da escalada patrocinada pelas forças conservadoras para derrubar o governo Lula, tenho que encontrar meu sustento profissionalmente. Esta é minha obrigação como pai e cidadão. Porque não me afasto das trincheiras e compromissos de toda a minha vida, gente como Graeff talvez preferisse que até esse direito me fosse arrancado, obrigando-me a um novo exílio ou à clandestinidade. 
Minhas contas foram devastadas pela Receita Federal: tenho como patrimônio a casa onde moro e somente sobrevivo se trabalhar, e muito. Ao contrário de tantos tucanos, os petistas não fazem, ao sair do governo, a impressionante mutação de professores e funcionários em banqueiros, financistas e plutocratas. Exatamente porque mantemos nossos compromissos históricos, nossa moral socialista e nossa missão no combate do povo brasileiro por sua libertação.

Painel do Leitor - FOLHA
José Dirceu
"No texto "Os sonhos estão mais vivos do que nunca" ("Tendências/ Debates", 13/2), José Dirceu afirma que cometi um erro numa reportagem publicada na revista "Piauí". 
No artigo, Dirceu sustenta que, quando falou de "Lulinha", ele se referiu a um jornalista, e não ao empresário Fábio Luiz da Silva, filho do presidente da República. Pelo contexto em que foram feitas, porém, as declarações do ex-ministro não davam margem a ambigüidades. Cheguei a lhe perguntar: "O senhor está falando do Lulinha da Gamecorp?". E José Dirceu respondeu: "É". Ele se referiu mesmo ao filho do presidente, e não ao jornalista Luís Costa Pinto, que, aliás, nunca foi conhecido pelo apelido de "Lulinha" por seus colegas e fontes do mundo político. 
O próprio Costa Pinto, numa entrevista à Folha (5/1/2008), disse que já não trabalhava na imprensa antes mesmo de o presidente Lula iniciar o seu primeiro mandato. Logo, era impossível que José Dirceu se referisse a ele, ou a uma reportagem de sua autoria, quando falou de "Lulinha"." 
DANIELA PINHEIRO, repórter da revista "Piauí" (Rio de Janeiro, RJ)

Friday, December 28, 2007

Respostas

Respostas

1 Tóquio, que já é hoje a maior cidade do mundo e deverá manter o título em 2020, com população projetada de mais de 37 milhões

2 Thriller

3 de ressaca

4 General Motors

5 Fiat

6 a Nova Zelândia, em 1893. A Finlândia concedeu-o em 1906, a União Soviética, em 1917 e os Estados Unidos, em 1920

7 1932

8 5768

9 Odisséia

10 13,7 bilhões de anos. 4,5 milhões de anos é a data comprovada do surgimento dos hominídeos, e 6 000 anos é o tempo de história registrada da civilização

11 2/3

12 Varíola, febre amarela e peste bubônica

13 ...E o Vento Levou, que, em valores atualizados, contabiliza uma bilheteria mundial de mais de 2,6 bilhões de dólares

14 segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, as doenças do sistema circulatório têm, disparado, a maior taxa de mortalidade: 158,4 por 100 000 habitantes. As neoplasias (câncer) têm uma taxa de 68,5 e as doenças infecciosas, de 51,9

15 70%

16 parto

17 Samuel L. Jackson, graças à sua participação em três filmes da série Star Wars

18 9 bilhões de dólares

19 60, segundo dados de outubro da Anatel

20 a Terra gira em torno do Sol

21 10,5 milhões. 65 milhões se declararam pardos e 91 milhões, brancos

22 2048. Segundo um estudo recente, em 2003 um terço de todas as espécies comerciais já tinha declinado para 10% do seu volume histórico máximo

23 padre Vieira

24 A alternância de poder entre São Paulo e Minas, na República Velha

25 ambas no Terceiro Mundo

26 6 milhões de pessoas. Embora essas doenças sejam causadas por agentes diferentes, costuma-se reuni-las porque as três têm prevenção relativamente simples; a maioria dos casos de tuberculose e malária é curável; e a aids pode ser controlada como uma doença crônica. Mas todas as três também estão associadas a condições precárias de saneamento e/ou educação

27 regenciais

28 40 milhões

29 varíola

30 segundo dados de 2003 do IBGE, 41% dos brasileiros adultos estão acima do peso ideal – ou seja, têm índice de massa corporal (IMC) acima de 25

31 a Constituição do Império, que vigorou de 1824 até a proclamação da República, em 1889

32 Vasco da Gama

33 Dante Alighieri, Petrarca e Tomás Antônio Gonzaga

34 D. Quincas Borba originalmente era um "filósofo" meio amoral em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Mas, no início de Quincas Borba, ele já está morto – e seu herdeiro, Rubião, deu seu nome a um cachorro

35 todos os três

36 Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade

37 segundo dados de 2006, o Canadá, seguido, pela ordem, de China, México, Japão e Alemanha

38 segundo dados de 2006, os maiores parceiros comerciais do Brasil são, pela ordem, Estados Unidos, Argentina, China e Alemanha

39 a França, que em 2006 atraiu cerca de 79 milhões de visitantes e foi seguida pela Espanha, com 58,5 milhões, e pelos Estados Unidos, com 51 milhões

40 Itália

41 a Trincadeira, usada quase que exclusivamente em Portugal. As outras vêm produzindo vinhos premiados na América do Sul e na Oceania

42 acarvoado. Os outros três fazem parte do vocabulário habitual dos provadores de vinhos

43 segundo a Câmara de Comércio Internacional, trata-se da China, seguida, pela ordem, de Rússia, Índia e Brasil

44 três trabalhadores

45 segundo dados deste ano do IBGE, 13%

46 os cinco países de maior população islâmica no mundo são a Indonésia, a Índia, a China, o Paquistão e Bangladesh. Todos ficam na Ásia

47 Jesus, no Evangelho de Mateus, 10:34

48 uma das mais antigas religiões japonesas, o xintoísmo pregava, até o século XX, a adoração ao imperador como um deus

49 cerca de nove em cada dez iranianos são xiitas. Nos outros três países, os sunitas são maioria

50 a distância que a luz percorre em um ano, ou 9,5 trilhões de quilômetros

51 fruto de mutações aleatórias transmitidas para as gerações posteriores por meio da seleção natural

52 testosterona exógena, ou seja, não produzida pelo organismo em que foi encontrada

53 padre Marcelo, com 3,2 milhões de cópias de Músicas para Louvar ao Senhor

54 Empire State Building

55 Mariah Carey

56 Henri Cartier-Bresson

57 mesmerismo

58 O Alquimista, 13º colocado entre os livros de ficção

59 87%

60 elétrico e a gasolina

61 Greta Garbo

62 sexta posição

63 1%

64 A. B é de ...E o Vento Levou, C de Quanto Mais Quente Melhor e D de O Exterminador do Futuro

65 O Bem-Amado

66 Dorival Caymmi

67 Walter Forster e Vida Alves, na novela Sua Vida Me Pertence, exibida pela Tupi em 1951

68 Luiz Gustavo

69 de uma campanha da Coca-Cola

70 o Renascentismo. O padre francês Pedro Abelardo (1079-1142) foi pioneiro do intelligo ut credam nas questões de fé, mas só no Renascimento esse impulso racional se popularizou

71 em seu livro A Palavra Pintada, Wolfe comparou as imitações de Pollock a vômito e a espaguete

72 Beethoven. Karajan se excedeu na regência da obra de todos esses compositores, mas, graças às suas três gravações do ciclo completo das sinfonias de Beethoven, é com sua obra que ele é mais imediatamente associado

73 três

74 Orlando Silva e Emilinha Borba

75 o trecho inicial da canção infantil Mary Had a Little Lamb

76 ao senador Paul Sarbanes e ao deputado Michael Oxley, seus propositores

77 11 282 metros foi a profundidade atingida recentemente pelo poço Z-11, de uma subsidiária da Exxon, à margem da Ilha Sacalina, na Rússia

78 B. O carpaccio foi inventado no Harry’s Bar de Veneza em 1950, por solicitação de uma freguesa, e batizado pelo dono do bar com o nome do pintor, que era também veneziano e famoso pelo vermelho rutilante

79 porque havia a crença de que a ciência soviética faria dele o primeiro ser humano a voltar à vida

80 Wyatt Earp. Curiosamente, o xerife morreu aos 80 anos, provavelmente de câncer da próstata. Apesar de ter se envolvido em centenas de trocas de tiros durante a vida como homem-da-lei, nunca levou uma bala — nem sequer de raspão

81 todas elas

82 o Ato de 1862 criou as sociedades de responsabilidade limitada e deu ao investidor a segurança para colocar dinheiro em empreendimentos e, em caso de falência, perder apenas a quantia investida — e não todo o seu patrimônio, como antes

83 Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha

84 três: o cambojano Maddox, o vietnamita Pax e a etíope Zahara. Ela e o marido, Brad Pitt, têm ainda uma filha biológica – Shiloh, de 1 ano e 7 meses

85 navegar em alta velocidade na internet

86 falta de exposição à luz solar

87 A. Segundo o americano Robert Greenberg, um dos mais conhecidos estudiosos do músico alemão, a peça tem "soluços, arrotos e até aquele som típico de quando esses problemas tomam o rumo sul". Arghh!

88 uma a cada duas semanas

89 assassinado por engano, por um soldado das Forças Aliadas

90 Afeganistão e Paquistão. Historicamente, o grosso dos refugiados não emigra para longe, e sim foge para países fronteiriços

91 Cairo

92 Chanel deu forma ao tailleur e popularizou-o. O New Look foi a silhueta inventada por Dior no pós-guerra, e a minissaia, o grande lançamento da inglesa Mary Quant

93 neste ano

94 sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk desagradou aos nacionalistas russos

95 Robert Oppenheimer

96 os três

97 o cristianismo, com 2,1 bilhões de adeptos. O islamismo contabiliza 1,5 bilhão de seguidores e o hinduísmo, 900 milhões

98 o Japão, onde a expectativa de vida hoje é de 85,8 anos para as mulheres e 79 anos para os homens

99 um movimento lançado por cineastas como François Truffaut e Jean-Luc Godard

100 nenhuma das anteriores


RETORNAR AO >>>Teste

Respostas

Respostas

1 Tóquio, que já é hoje a maior cidade do mundo e deverá manter o título em 2020, com população projetada de mais de 37 milhões

2 Thriller

3 de ressaca

4 General Motors

5 Fiat

6 a Nova Zelândia, em 1893. A Finlândia concedeu-o em 1906, a União Soviética, em 1917 e os Estados Unidos, em 1920

7 1932

8 5768

9 Odisséia

10 13,7 bilhões de anos. 4,5 milhões de anos é a data comprovada do surgimento dos hominídeos, e 6 000 anos é o tempo de história registrada da civilização

11 2/3

12 Varíola, febre amarela e peste bubônica

13 ...E o Vento Levou, que, em valores atualizados, contabiliza uma bilheteria mundial de mais de 2,6 bilhões de dólares

14 segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, as doenças do sistema circulatório têm, disparado, a maior taxa de mortalidade: 158,4 por 100 000 habitantes. As neoplasias (câncer) têm uma taxa de 68,5 e as doenças infecciosas, de 51,9

15 70%

16 parto

17 Samuel L. Jackson, graças à sua participação em três filmes da série Star Wars

18 9 bilhões de dólares

19 60, segundo dados de outubro da Anatel

20 a Terra gira em torno do Sol

21 10,5 milhões. 65 milhões se declararam pardos e 91 milhões, brancos

22 2048. Segundo um estudo recente, em 2003 um terço de todas as espécies comerciais já tinha declinado para 10% do seu volume histórico máximo

23 padre Vieira

24 A alternância de poder entre São Paulo e Minas, na República Velha

25 ambas no Terceiro Mundo

26 6 milhões de pessoas. Embora essas doenças sejam causadas por agentes diferentes, costuma-se reuni-las porque as três têm prevenção relativamente simples; a maioria dos casos de tuberculose e malária é curável; e a aids pode ser controlada como uma doença crônica. Mas todas as três também estão associadas a condições precárias de saneamento e/ou educação

27 regenciais

28 40 milhões

29 varíola

30 segundo dados de 2003 do IBGE, 41% dos brasileiros adultos estão acima do peso ideal – ou seja, têm índice de massa corporal (IMC) acima de 25

31 a Constituição do Império, que vigorou de 1824 até a proclamação da República, em 1889

32 Vasco da Gama

33 Dante Alighieri, Petrarca e Tomás Antônio Gonzaga

34 D. Quincas Borba originalmente era um "filósofo" meio amoral em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Mas, no início de Quincas Borba, ele já está morto – e seu herdeiro, Rubião, deu seu nome a um cachorro

35 todos os três

36 Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade

37 segundo dados de 2006, o Canadá, seguido, pela ordem, de China, México, Japão e Alemanha

38 segundo dados de 2006, os maiores parceiros comerciais do Brasil são, pela ordem, Estados Unidos, Argentina, China e Alemanha

39 a França, que em 2006 atraiu cerca de 79 milhões de visitantes e foi seguida pela Espanha, com 58,5 milhões, e pelos Estados Unidos, com 51 milhões

40 Itália

41 a Trincadeira, usada quase que exclusivamente em Portugal. As outras vêm produzindo vinhos premiados na América do Sul e na Oceania

42 acarvoado. Os outros três fazem parte do vocabulário habitual dos provadores de vinhos

43 segundo a Câmara de Comércio Internacional, trata-se da China, seguida, pela ordem, de Rússia, Índia e Brasil

44 três trabalhadores

45 segundo dados deste ano do IBGE, 13%

46 os cinco países de maior população islâmica no mundo são a Indonésia, a Índia, a China, o Paquistão e Bangladesh. Todos ficam na Ásia

47 Jesus, no Evangelho de Mateus, 10:34

48 uma das mais antigas religiões japonesas, o xintoísmo pregava, até o século XX, a adoração ao imperador como um deus

49 cerca de nove em cada dez iranianos são xiitas. Nos outros três países, os sunitas são maioria

50 a distância que a luz percorre em um ano, ou 9,5 trilhões de quilômetros

51 fruto de mutações aleatórias transmitidas para as gerações posteriores por meio da seleção natural

52 testosterona exógena, ou seja, não produzida pelo organismo em que foi encontrada

53 padre Marcelo, com 3,2 milhões de cópias de Músicas para Louvar ao Senhor

54 Empire State Building

55 Mariah Carey

56 Henri Cartier-Bresson

57 mesmerismo

58 O Alquimista, 13º colocado entre os livros de ficção

59 87%

60 elétrico e a gasolina

61 Greta Garbo

62 sexta posição

63 1%

64 A. B é de ...E o Vento Levou, C de Quanto Mais Quente Melhor e D de O Exterminador do Futuro

65 O Bem-Amado

66 Dorival Caymmi

67 Walter Forster e Vida Alves, na novela Sua Vida Me Pertence, exibida pela Tupi em 1951

68 Luiz Gustavo

69 de uma campanha da Coca-Cola

70 o Renascentismo. O padre francês Pedro Abelardo (1079-1142) foi pioneiro do intelligo ut credam nas questões de fé, mas só no Renascimento esse impulso racional se popularizou

71 em seu livro A Palavra Pintada, Wolfe comparou as imitações de Pollock a vômito e a espaguete

72 Beethoven. Karajan se excedeu na regência da obra de todos esses compositores, mas, graças às suas três gravações do ciclo completo das sinfonias de Beethoven, é com sua obra que ele é mais imediatamente associado

73 três

74 Orlando Silva e Emilinha Borba

75 o trecho inicial da canção infantil Mary Had a Little Lamb

76 ao senador Paul Sarbanes e ao deputado Michael Oxley, seus propositores

77 11 282 metros foi a profundidade atingida recentemente pelo poço Z-11, de uma subsidiária da Exxon, à margem da Ilha Sacalina, na Rússia

78 B. O carpaccio foi inventado no Harry’s Bar de Veneza em 1950, por solicitação de uma freguesa, e batizado pelo dono do bar com o nome do pintor, que era também veneziano e famoso pelo vermelho rutilante

79 porque havia a crença de que a ciência soviética faria dele o primeiro ser humano a voltar à vida

80 Wyatt Earp. Curiosamente, o xerife morreu aos 80 anos, provavelmente de câncer da próstata. Apesar de ter se envolvido em centenas de trocas de tiros durante a vida como homem-da-lei, nunca levou uma bala — nem sequer de raspão

81 todas elas

82 o Ato de 1862 criou as sociedades de responsabilidade limitada e deu ao investidor a segurança para colocar dinheiro em empreendimentos e, em caso de falência, perder apenas a quantia investida — e não todo o seu patrimônio, como antes

83 Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha

84 três: o cambojano Maddox, o vietnamita Pax e a etíope Zahara. Ela e o marido, Brad Pitt, têm ainda uma filha biológica – Shiloh, de 1 ano e 7 meses

85 navegar em alta velocidade na internet

86 falta de exposição à luz solar

87 A. Segundo o americano Robert Greenberg, um dos mais conhecidos estudiosos do músico alemão, a peça tem "soluços, arrotos e até aquele som típico de quando esses problemas tomam o rumo sul". Arghh!

88 uma a cada duas semanas

89 assassinado por engano, por um soldado das Forças Aliadas

90 Afeganistão e Paquistão. Historicamente, o grosso dos refugiados não emigra para longe, e sim foge para países fronteiriços

91 Cairo

92 Chanel deu forma ao tailleur e popularizou-o. O New Look foi a silhueta inventada por Dior no pós-guerra, e a minissaia, o grande lançamento da inglesa Mary Quant

93 neste ano

94 sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk desagradou aos nacionalistas russos

95 Robert Oppenheimer

96 os três

97 o cristianismo, com 2,1 bilhões de adeptos. O islamismo contabiliza 1,5 bilhão de seguidores e o hinduísmo, 900 milhões

98 o Japão, onde a expectativa de vida hoje é de 85,8 anos para as mulheres e 79 anos para os homens

99 um movimento lançado por cineastas como François Truffaut e Jean-Luc Godard

100 nenhuma das anteriores


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1 Tóquio, que já é hoje a maior cidade do mundo e deverá manter o título em 2020, com população projetada de mais de 37 milhões

2 Thriller

3 de ressaca

4 General Motors

5 Fiat

6 a Nova Zelândia, em 1893. A Finlândia concedeu-o em 1906, a União Soviética, em 1917 e os Estados Unidos, em 1920

7 1932

8 5768

9 Odisséia

10 13,7 bilhões de anos. 4,5 milhões de anos é a data comprovada do surgimento dos hominídeos, e 6 000 anos é o tempo de história registrada da civilização

11 2/3

12 Varíola, febre amarela e peste bubônica

13 ...E o Vento Levou, que, em valores atualizados, contabiliza uma bilheteria mundial de mais de 2,6 bilhões de dólares

14 segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, as doenças do sistema circulatório têm, disparado, a maior taxa de mortalidade: 158,4 por 100 000 habitantes. As neoplasias (câncer) têm uma taxa de 68,5 e as doenças infecciosas, de 51,9

15 70%

16 parto

17 Samuel L. Jackson, graças à sua participação em três filmes da série Star Wars

18 9 bilhões de dólares

19 60, segundo dados de outubro da Anatel

20 a Terra gira em torno do Sol

21 10,5 milhões. 65 milhões se declararam pardos e 91 milhões, brancos

22 2048. Segundo um estudo recente, em 2003 um terço de todas as espécies comerciais já tinha declinado para 10% do seu volume histórico máximo

23 padre Vieira

24 A alternância de poder entre São Paulo e Minas, na República Velha

25 ambas no Terceiro Mundo

26 6 milhões de pessoas. Embora essas doenças sejam causadas por agentes diferentes, costuma-se reuni-las porque as três têm prevenção relativamente simples; a maioria dos casos de tuberculose e malária é curável; e a aids pode ser controlada como uma doença crônica. Mas todas as três também estão associadas a condições precárias de saneamento e/ou educação

27 regenciais

28 40 milhões

29 varíola

30 segundo dados de 2003 do IBGE, 41% dos brasileiros adultos estão acima do peso ideal – ou seja, têm índice de massa corporal (IMC) acima de 25

31 a Constituição do Império, que vigorou de 1824 até a proclamação da República, em 1889

32 Vasco da Gama

33 Dante Alighieri, Petrarca e Tomás Antônio Gonzaga

34 D. Quincas Borba originalmente era um "filósofo" meio amoral em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Mas, no início de Quincas Borba, ele já está morto – e seu herdeiro, Rubião, deu seu nome a um cachorro

35 todos os três

36 Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade

37 segundo dados de 2006, o Canadá, seguido, pela ordem, de China, México, Japão e Alemanha

38 segundo dados de 2006, os maiores parceiros comerciais do Brasil são, pela ordem, Estados Unidos, Argentina, China e Alemanha

39 a França, que em 2006 atraiu cerca de 79 milhões de visitantes e foi seguida pela Espanha, com 58,5 milhões, e pelos Estados Unidos, com 51 milhões

40 Itália

41 a Trincadeira, usada quase que exclusivamente em Portugal. As outras vêm produzindo vinhos premiados na América do Sul e na Oceania

42 acarvoado. Os outros três fazem parte do vocabulário habitual dos provadores de vinhos

43 segundo a Câmara de Comércio Internacional, trata-se da China, seguida, pela ordem, de Rússia, Índia e Brasil

44 três trabalhadores

45 segundo dados deste ano do IBGE, 13%

46 os cinco países de maior população islâmica no mundo são a Indonésia, a Índia, a China, o Paquistão e Bangladesh. Todos ficam na Ásia

47 Jesus, no Evangelho de Mateus, 10:34

48 uma das mais antigas religiões japonesas, o xintoísmo pregava, até o século XX, a adoração ao imperador como um deus

49 cerca de nove em cada dez iranianos são xiitas. Nos outros três países, os sunitas são maioria

50 a distância que a luz percorre em um ano, ou 9,5 trilhões de quilômetros

51 fruto de mutações aleatórias transmitidas para as gerações posteriores por meio da seleção natural

52 testosterona exógena, ou seja, não produzida pelo organismo em que foi encontrada

53 padre Marcelo, com 3,2 milhões de cópias de Músicas para Louvar ao Senhor

54 Empire State Building

55 Mariah Carey

56 Henri Cartier-Bresson

57 mesmerismo

58 O Alquimista, 13º colocado entre os livros de ficção

59 87%

60 elétrico e a gasolina

61 Greta Garbo

62 sexta posição

63 1%

64 A. B é de ...E o Vento Levou, C de Quanto Mais Quente Melhor e D de O Exterminador do Futuro

65 O Bem-Amado

66 Dorival Caymmi

67 Walter Forster e Vida Alves, na novela Sua Vida Me Pertence, exibida pela Tupi em 1951

68 Luiz Gustavo

69 de uma campanha da Coca-Cola

70 o Renascentismo. O padre francês Pedro Abelardo (1079-1142) foi pioneiro do intelligo ut credam nas questões de fé, mas só no Renascimento esse impulso racional se popularizou

71 em seu livro A Palavra Pintada, Wolfe comparou as imitações de Pollock a vômito e a espaguete

72 Beethoven. Karajan se excedeu na regência da obra de todos esses compositores, mas, graças às suas três gravações do ciclo completo das sinfonias de Beethoven, é com sua obra que ele é mais imediatamente associado

73 três

74 Orlando Silva e Emilinha Borba

75 o trecho inicial da canção infantil Mary Had a Little Lamb

76 ao senador Paul Sarbanes e ao deputado Michael Oxley, seus propositores

77 11 282 metros foi a profundidade atingida recentemente pelo poço Z-11, de uma subsidiária da Exxon, à margem da Ilha Sacalina, na Rússia

78 B. O carpaccio foi inventado no Harry’s Bar de Veneza em 1950, por solicitação de uma freguesa, e batizado pelo dono do bar com o nome do pintor, que era também veneziano e famoso pelo vermelho rutilante

79 porque havia a crença de que a ciência soviética faria dele o primeiro ser humano a voltar à vida

80 Wyatt Earp. Curiosamente, o xerife morreu aos 80 anos, provavelmente de câncer da próstata. Apesar de ter se envolvido em centenas de trocas de tiros durante a vida como homem-da-lei, nunca levou uma bala — nem sequer de raspão

81 todas elas

82 o Ato de 1862 criou as sociedades de responsabilidade limitada e deu ao investidor a segurança para colocar dinheiro em empreendimentos e, em caso de falência, perder apenas a quantia investida — e não todo o seu patrimônio, como antes

83 Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha

84 três: o cambojano Maddox, o vietnamita Pax e a etíope Zahara. Ela e o marido, Brad Pitt, têm ainda uma filha biológica – Shiloh, de 1 ano e 7 meses

85 navegar em alta velocidade na internet

86 falta de exposição à luz solar

87 A. Segundo o americano Robert Greenberg, um dos mais conhecidos estudiosos do músico alemão, a peça tem "soluços, arrotos e até aquele som típico de quando esses problemas tomam o rumo sul". Arghh!

88 uma a cada duas semanas

89 assassinado por engano, por um soldado das Forças Aliadas

90 Afeganistão e Paquistão. Historicamente, o grosso dos refugiados não emigra para longe, e sim foge para países fronteiriços

91 Cairo

92 Chanel deu forma ao tailleur e popularizou-o. O New Look foi a silhueta inventada por Dior no pós-guerra, e a minissaia, o grande lançamento da inglesa Mary Quant

93 neste ano

94 sua ópera Lady Macbeth de Mtsensk desagradou aos nacionalistas russos

95 Robert Oppenheimer

96 os três

97 o cristianismo, com 2,1 bilhões de adeptos. O islamismo contabiliza 1,5 bilhão de seguidores e o hinduísmo, 900 milhões

98 o Japão, onde a expectativa de vida hoje é de 85,8 anos para as mulheres e 79 anos para os homens

99 um movimento lançado por cineastas como François Truffaut e Jean-Luc Godard

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Sunday, December 02, 2007

Jornais russos criticam, mas Putin mira TV

Jornais russos criticam, mas Putin mira TV

Editor de publicação onde trabalhava jornalista assassinada diz que há liberdade, só que ninguém dá importância a críticas

Falta de sociedade civil ativa facilita corrupção oficial e vigilância policial ostensiva; governo tem como objetivo o controle de emissoras

IGOR GIELOW
ENVIADO ESPECIAL A MOSCOU

A hora do "rush" no excelente metrô de Moscou costuma encerrar um quadro com duas cenas. Uma pequena multidão silenciosa, com ares atarefados, seguindo de forma ordenada para seu destino. Essa mesma horda esbarra em policiais bem ou mau encarados com seus cães, e vendedores de jornais.
De certa forma, a imagem ajuda a entender a questão da liberdade do indivíduo na era Putin, geralmente um tema de crítica ácida por meio de órgãos de imprensa e entidades que monitoram direitos humanos mundo afora.
A começar pelo comportamento da multidão. "Não existe uma sociedade civil na Rússia ainda. Existem espasmos, aqui e ali, mas o que temos é isso: um monte de gente indo de um lugar para o outro", disse o editor de reportagens investigativas da "Novaya Gazeta", Roman Schleinov, 32.
O jornal, com circulação de aproximadamente 540 mil exemplares duas vezes por semana, é um dos mais críticos ao governo Putin. Foi criado em 1993, e há um ano tem 49% de seu controle na mão do ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov, embora supostamente não haja interferência editorial.
Lá começou a trabalhar em 1999 a jornalista crítica do Kremlin Anna Politkovskaia, cujo assassinato no ano passado virou um marco na denúncia das condições de trabalho da imprensa na Rússia.
O Comitê de Proteção aos Jornalistas cita 42 mortes desde 1992, o terceiro país no ranking de periculosidade para a profissão da entidade -atrás de Iraque e Argélia. A Freedom House, entidade norte-americana especializada em medir democracias (ao estilo ocidental) mundo afora, considera a Rússia um país "não livre" nos quesitos liberdade civil e de imprensa e direitos políticos.

Processo histórico
E o que pensa o editor do mais duro jornal de oposição? "Existe sim liberdade de imprensa na Rússia. Há dificuldades fora de Moscou e São Petersburgo, nas regiões afastadas. O problema real é outro, é que ninguém dá importância às críticas. Se 10%, 15% da população dos grandes centros se preocupa, é muito. Sinceramente, nenhum jornalista russo ficou chocado com a morte de Anna. Não foi a primeira."
Ele nega que isso seja motivo de frustração profissional: "Eu acredito em processo histórico. Em um dado momento, a sociedade civil começará a aparecer. Eu vejo isso nos pequenos e médios empresários, donos de comércios, uma hora eles exigirão o fim da corrupção para permanecerem abertos. E aí aparecerão políticos que os representem."
Schleinov tem esperança em gente como Kamal, dono de um restaurante libanês na zona sul de Moscou. "É muito difícil sobreviver. Antes, no tempo do Ieltsin, eu separava mais ou menos 5% de propinas para a máfia. Agora, são 15% para diversas agências governamentais que mantêm meu negócio aberto. Se não pago, inventam uma inspeção sanitária, qualquer coisa, e me fecham", diz o druso, batizado em homenagem a Kamal Jumblatt, líder histórico desse grupo politicamente poderoso no Líbano.
É disso que se trata a analogia dos policiais e seus cães. Se por um lado eles são necessários num país sob ameaça de terrorismo, por outro eles lembram a institucionalização da polícia, do Exército, dos serviços secretos como parte da vida. "A era dos gângsteres efetivamente acabou", diz Schleinov. É para o governo que agora Kamal paga suas propinas.

TV e Exército
"Há um mito sobre a falta de liberdade no país. A imprensa é livre, pode criticar o quanto quiser. O que importa é que o governo tenha as maiores TVs sob controle, porque elas são instrumentos de propaganda, e é o que interessa", disse à Folha, sem maiores rodeios, o analista Sergei Markov, conselheiro informal de Putin.
Segundo ele, a tomada da rede NTV foi essencial para consolidar a estratégia do governo para a comunicação. A NTV pertencia a um oligarca [empresário que enriqueceu com privatizações suspeitas do Estado soviético], Vladimir Gusinsky, e era famosa por seu programa "Kukly" ("Bonecos"), em que políticos eram satirizados por marionetes. Até que foi a vez de Putin. Após algumas acusações judiciais, a NTV acabou tendo seu controle comprado pela gigante estatal do gás Gazprom em 2001.
"Há centenas de canais, cada um vê o que quer. Mas os canais principais, e isso acontece tanto nas redes nacionais quanto nas regionais, têm que ser do governo. Na Rússia, a TV é mais importante do que o Exército. É um bem estratégico", diz Markov.
Antes, a NTV tinha uma linha editorial considerada mais independente. "Mas mesmo isso é preciso ser colocado em perspectiva. Nos anos 90, as TVs tinham antagonismos, mas serviam a interesses dos oligarcas", lembra Schleinov.
A NTV é a terceira mais vista do país, depois dos dois canais oficiais, a ORT e a RTR.
Mas a brutalização do cotidiano não se resume à mídia. Além de jornalistas, foram assassinados recentemente políticos, um dos chefes do setor de regulação bancária e houve um ataque frontal às ONGs.
No ano passado, foi passada uma lei instalando diversos mecanismos para regular a atividade das ONGs. Como sempre no setor, havia picaretagens a serem coibidas. Mas mesmo instituições respeitáveis como o Centro Carnegie de Moscou passaram a ter auditores fiscais fisicamente em seus prédios, "lembrando" os seus diretores que sempre pode haver problemas com o governo.

ONGs extintas
Não há balanço, mas estima-se que as ONGs menores, que recebiam dinheiro externo, foram extintas. Uma exceção foi o Instituto de Direitos Humanos. "Acontece que agora sou praticamente só eu e uns jovens esforçados que não cobram para trabalhar", disse seu diretor, Valentin Gefter.
Há suspeitas sobre o sistema judicial. Como disse o advogado Anton Drel, a reportagem poderia enviar perguntas ao empresário Mikhail Khodorkovsi. "Mas elas nunca chegarão a ele na cadeia na Sibéria", disse. Homem mais rico do mundo e com pretensões políticas, Khodorkovski ganhou a pecha de oligarca dos aliados de Putin e teve sua empresa petrolífera, a Yukos, absorvida pelo governo. Acusado de evasão fiscal, foi condenado a oito anos de prisão em 2005.
Não se pode dizer que o russo não goste de notícia, contudo. Como o terceiro elemento do quadro do metrô indica, há farta oferta de informação -ainda que de qualidade duvidosa. Uma pesquisa feita em agosto pela Fundação de Opinião Pública com 1.500 pessoas em 44 das 85 regiões russas mostrou que 92% das pessoas se interessam por notícia, e 43% delas pelo noticiário político (com 51% lideram as histórias sobre tragédias e crimes).
Jornais e revistam somam 400 títulos. O maior deles é a revista mensal "Argumenty i Fakti", que já teve 33 milhões de exemplares circulando nos anos 90, e hoje tem ainda respeitáveis 2,6 milhões de unidades rodadas a cada número. Não há nada parecido com isso no Brasil. A internet ainda engatinha: embora tenha 25% da população sob sua cobertura, o noticiário online só é acompanhado por 8% das pessoas.
Mas a mesma pesquisa mostrou que os jornais nacionais, que com raras exceções também saíram das mãos dos oligarcas e caíram no colo de aliados de Putin, são a fonte de informação preferida de 30% do público. As TVs nacionais registram 90% de preferência. "Elas são imbecilizantes", sentencia Schleinov, confirmando o pragmatismo midiático de Markov. A hora do "rush", como o telejornal da noite, ocorre todo dia útil.
Filho de Politkovskaia crê que Kremlin quer resolver o caso

DO ENVIADO ESPECIAL A MOSCOU

Aos 29 anos, o relações-públicas Ilia Politkovski se viu lançado do anonimato a uma desconfortável notoriedade: ele é o filho de Anna Politkovskaia, a jornalista investigativa que foi assassinada ao chegar em casa em outubro do ano passado, levantando suspeitas sobre o eventual envolvimento de membros do Exército ou do governo no caso.
Trabalhando parte do tempo em casa, parte numa empresa de marketing em Moscou, Politkovskoi é bem menos assertivo sobre as suspeitas acerca de quem matou sua mãe do que seria correto supor.
"Não tenho a menor idéia de quem fez isso, quem mandou", disse à Folha. Contudo, ele acredita que o esclarecimento do assassinato tornou-se um ponto de honra do governo Putin, que estaria ansioso com a repercussão internacional do incidente.
Indagado por um repórter na Alemanha sobre a importância do assassinato, Putin apenas disse que Politkovskaia não tinha representatividade política. Isso gerou uma onda de críticas. "Para mim é bem pouco usual o fato de que não estou recebendo pressão nenhuma. Isso pode mudar amanhã ou depois, mas é significativo", disse Politkovskoi por telefone.
Ele afirma que o processo, até aqui, está sendo conduzido de uma forma correta, apesar de uma afirmação desastrada do procurador-geral da Rússia, Iuri Tchaika, que, ao anunciar a prisão de dez suspeitos pelo crime neste ano, sugeriu que os mandantes eram conhecidos: oligarcas como Boris Berezovksi, que mora em Londres.
"Não tenho indicações de que haja problemas, não até aqui", afirmou.

Nada melhorou
A jornalista Anna Politkovskaia trabalhava no jornal "Novaya Gazeta" e tinha por especialidade contar histórias humanas de pessoas oprimidas pelo sistema legal russo, além de ter feito uma cobertura crítica da guerra na Tchetchênia.
"Mamãe sabia de muitas coisas. E, de sua morte para cá, nada melhorou no país", afirma o filho, que também tem uma irmã, Vera.
Além das reportagens e textos, alguns explicitamente panfletários, Politkovskaia irritou as autoridades ao agir como mediadora no ataque de rebeldes tchetchenos a um teatro em 2003, que acabou com a morte de 129 reféns, e foi envenenada quando se dirigia para tentar assumir o mesmo papel na tomada da escola de Beslan (Ossétia do Norte), em 2004.
E Putin?
Ilia Politkovskoi repete o argumento que sua mãe escrevera no livro "A Rússia de Putin", uma coletânea de histórias sobre pessoas em dificuldade e sem amparo do Estado: "Ele não tem estatura, a Rússia é muito grande para ele. Ele era um apanhador de espiões, não tem visão", afirma.
No livro, de 2004, a jornalista escrevia em sua introdução: "Por que é difícil sustentar o ponto de vista róseo quando você encara a realidade da Rússia? Porque Putin, um produto do mais tenebroso serviço de inteligência, falhou em transcender suas origens e parar de se comportar como um tenente-coronel da KGB soviética. Ele ainda está ocupado perseguindo seus compatriotas amantes da liberdade."
Paradoxalmente, será nos comunistas tão criticados por sua mãe que Ilia irá votar no domingo. "Eu odeio o Partido Comunista, mas é o único modo de expressar meu protesto contra o Rússia Unida [partido de Putin]. Então, mesmo não gostando deles, do [líder comunista] Gennadi Ziuganov, eu vou votar", disse Politkovski. (IGOR GIELOW)
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Rússia deixa tratado de armas da Europa

A dois dias das eleições parlamentares, Putin ratifica medida popular internamente, mas com forte rechaço externo

Acordo assinado no rastro do colapso soviético limita disposição militar dentro do continente; para muitos russos, texto feria soberania

IGOR GIELOW
ENVIADO ESPECIAL A MOSCOU

O presidente russo, Vladimir Putin, aproveitou o último dia da campanha eleitoral para o pleito parlamentar de amanhã e tomou uma medida altamente popular, mas que traz implicações externas: assinou o decreto tirando temporariamente a Rússia do Tratado de Forças Convencionais na Europa.
A assinatura é a ratificação de uma decisão de julho e vem em tempo para agradar o eleitorado. De forma geral, a opinião pública russa considera o tratado uma concessão feita no apagar das luzes da União Soviética que fere sua soberania.
Pelo tratado, assinado em 1990 em Paris, todos os países da Otan (aliança militar ocidental) e do então Pacto de Varsóvia (seu similar comunista) limitariam seus equipamentos ofensivos do Atlântico Norte aos montes Urais, onde acaba a Rússia européia.
Com isso, foram destruídos ou retirados para fora das fronteiras do tratado milhares de tanques, peças de artilharia, veículos blindados e helicópteros de ataque. "Esse acordo não tinha mais sentido, era algo do espaço da Guerra Fria. De todo modo, não temos hoje o equipamento para ultrapassar seus limites, então o Ocidente pode ficar tranqüilo", ironizou Ruslan Pukhov, diretor do Centro para Análise de Estratégias e Tecnologia, de Moscou.
O governo Putin sempre considerou o tratado obsoleto por não respeitar o fato de que a Otan seguiu existindo e hoje engole seus ex-aliados do Pacto de Varsóvia. Mas a decisão para a retirada só veio após a insistência dos EUA em criar um sistema de defesa anti-mísseis usando bases européias. Washington alega que precisa do escudo para se defender de mísseis de países como Irã, mas a Rússia vê potencial ofensivo.
O acordo abarcou novas restrições em 1999, mas só Rússia, Ucrânia, Belarus e Cazaquistão o ratificaram. EUA e países da Otan rejeitaram, alegando que Moscou deveria tirar suas tropas da Geórgia e de Moldova -o que se nega a fazer.

Festa antecipada
O movimento de jovens Nashi ("Os nossos"), apoiado pelo Kremlin, divulgou ontem um comunicado declarando as eleições de domingo vencidas pelo presidente. "Em 2 de dezembro, os russos elegeram o presidente Putin como líder nacional da Rússia", diz o texto, que felicita a votação maciça do Rússia Unida, de Putin -dois dias antes do pleito.

ELEIÇÕES
KREMLIN AGE PARA REDUZIR ABSTENÇÃO

Mesmo com a vitória arrasadora de seu partido garantida nas eleições parlamentares de amanhã, o Kremlin mostra que não medirá esforços para que o comparecimento às urnas seja o maior possível. A estimativa é que fique em 60%.
Para tanto, expedientes pouco ortodoxos são aplicados. Segundo a Folha ouviu de funcionários de uma grande estatal russa e de duas empresas de energia, oficiais eleitorais estão fazendo "visitas" aos chefes de departamento para sugerir o "encorajamento dos funcionários" a ir votar -no Rússia Unida. A comissão eleitoral nega irregularidades.

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