Saturday, June 12, 2010

VEJA Recomenda e Os mais vendidos


DVDs

IRENE, A TEIMOSA (My Man Godfrey, Estados Unidos, 1936. Platina)

Everett Collection/Grupo Keystone
DVD
Powell e Carole em Irene, a Teimosa: ah, aqueles diálogos...

• Os Bullock (nada a ver com Sandra) são uma família de milionários, e também de lunáticos. A cada manhã, nem a mãe nem as duas filhas se lembram do que fizeram na noite anterior, tal a esbórnia a que habitualmente se entregam; todas têm temperamento impossível; e, apesar dos esforços do pai para que controlem seus gastos, são do tipo que rasga dinheiro – não obstante estar-se em plena Depressão. Causa curiosidade generalizada, portanto, o fato de Godfrey, o mordomo recrutado em um acampamento de mendigos, resistir em um posto pelo qual costumavam passar dois ou três candidatos por dia. Interpretado por William Powell com sua suavidade e cinismo habituais, Godfrey resiste, na verdade, porque tem um segredo que o faz encarar essas doidices com humor. E porque sua "protetora", a caçula Irene (Carole Lombard), é burrinha de doer, verdade, mas é também uma graça. Dirigida por Gregory La Cava, um talento que morreria prematuramente, em 1952, esta comédia clássica tem, além do ótimo timing e do charme de Powell, aqueles diálogos sensacionais que Hollywood hoje parece ter esquecido completamente como escrever.

HARRY BROWN (Inglaterra, 2009. Flashstar)

Everett Collection/Grupo Keystone
DVD
Harry Brown, com Caine: uma história de violência

• Aos 77 anos e sem dar nenhum sinal de que a idade afeta sua colossal capacidade de trabalho, Michael Caine interpreta aqui Harry Brown, um aposentado que, em questão de dias, perde tudo o que lhe resta: sua mulher, doente, morre; seu único amigo ainda vivo, que vinha sendo acossado pelos marginais do conjunto habitacional em que ambos moram, é assassinado. Presa do luto e sem nada mais que importe a ele, Harry decide que é tempo de sair de sua passividade. Recorrendo ao treinamento, décadas antes, de combatente do Exército inglês, organiza-se para atrair para ciladas e então executar os bandidos da vizinhança. Em dado momento, quase é flagrado – mas, ainda assim, a polícia se recusa a suspeitar que o justiceiro que anda abatendo traficantes possa ser um idoso sujeito a ataques de enfizema. O filme do diretor Daniel Barber passa perto do terreno pantanoso de dramas de vingança como Desejo de Matar. Mas não o adentra, por fazer de Harry um personagem verdadeiramente trágico – e por contar com o talento tão experimentado, e ainda assim com tantas novas facetas a revelar, do grande Michael Caine.

LIVRO

DICIONÁRIO ANALÓGICO DA LÍNGUA PORTUGUESA, de Francisco Ferreira dos Santos Azevedo (Lexikon; 800 páginas; 69,90 reais)

• Nos dicionários convencionais, consulta-se uma palavra em busca de sua definição. O dicionário analógico oferece o caminho inverso: o consulente parte de um conceito (ou de uma vaga ideia) para chegar às palavras. Os verbetes oferecem verdadeiras nuvens de palavras que vão puxando uma a outra: a partir de "conselho", por exemplo, chega-se aos triviais "parecer, assessoria, consulta" e também aos mais remotos "parênese" e "temperilha". O leitor precisa adquirir um certo traquejo para manejar o dicionário. Mas, uma vez acostumado, descobrirá um instrumento indispensável, especialmente na hora de redigir um texto. O dicionário analógico – ou Thesaurus – é de uso corrente nos países de língua inglesa, popularizado desde o século XIX pelo lexicógrafo Peter Mark Roget. No Brasil, ao contrário, o dicionário de Francisco Azevedo (1875-1942), o único em sua categoria, foi publicado postumamente em 1950 – e só agora ganha uma segunda edição atualizada. Espera-se que não desapareça mais do mercado.

DISCOS

ALBUM, Girls (Lab 344)

Divulgação
DISCO
A dupla Girls: apesar das guitarras distorcidas, é pop para cantar junto

• Christopher Owens percorreu a proverbial estrada longa e sinuosa até chegar ao rock. Seus pais pertenciam a uma seita religiosa chamada Meninos de Deus. Entre os preceitos do grupo, estava a total descrença na medicina – um irmão de Owens morreu porque a família se recusou a visitar um
médico. Quando completou 16 anos, o garoto comprou uma guitarra e fugiu de casa, buscando abrigo com uma irmã que já havia abandonado o culto. Alguns anos depois, em São Francisco, Owens conheceu JR White, ex-integrante do Le Tigre, uma das bandas mais respeitadas do cenário alternativo, e com ele criou o Girls. Apesar das esquisitices que marcaram o início da dupla, a sonoridade de Album, seu disco de estreia, é altamente palatável. São canções que vão do pop simples, com refrão para cantar junto (Laura, uma das melhores faixas do CD), a uma surf music repleta de guitarras distorcidas (Big Bad Mean M...). Outra qualidade que torna a audição deAlbum deliciosa é a voz de Owens, que lembra a de Elvis Costello e Buddy Holly em seus momentos mais pop.

NORMAL AS BLUEBERRY PIE: A TRIBUTE TO DORIS DAY, Nellie Mckay (Universal)

Divulgação
DISCO
Nellie McKay: tributo a Doris Day, sem obviedades

• No início da década, toda cantora que surgia com uma interpretação suave e arranjos um pouco mais elaborados era saudada como a nova revelação do jazz – ainda que não fizesse jazz. O estouro dessas novas cantantes resultou em talentos hoje estabelecidos, como Norah Jones (que está mais para o folk e o country que para o jazz), e em desapontamentos como Jane Monheit. A cantora inglesa Nellie McKay pertence ao primeiro time, o de artistas que continuam valendo a pena. Boa compositora, ela deixa de lado essa qualidade em Normal as Blueberry Pie: o disco é, na íntegra, uma homenagem ao repertório da cantora e atriz Doris Day, a loira virginal que contracenou com Rock Hudson em vários sucessos cômico-românticos dos anos 60. Fã da música de Doris (e admiradora de seu trabalho em defesa dos animais), Nellie dispensou seus títulos mais óbvios, como Que Sera, Sera (Whatever Will Be), em favor de canções de Burt Bacharach e Hal David (Send Me No Flowers) e de George e Ira Gershwin (Do Do Do). O CD inclui, ainda, uma versão linda de Meditação (aqui, Meditation), de Tom Jobim e Newton Mendonça.

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