Saturday, March 27, 2010

Derrota da liberdade


O Google não consegue furar a muralha da censura comunista
na China e fecha as portas de seu escritório em Pequim


Larissa Tsuboi

Montagem sobre foto de Dave Bartruff/Corbis/Latinstock


Quando abriu um escritório em Pequim, há quatro anos, o Google se curvou aos ditames do capitalismo vermelho e aceitou se autocensurar. Temas banidos pelo Partido Comunista Chinês, o PCC, não poderiam aparecer quando alguém fizesse uma busca no site www.google.cn. O índex inclui, por exemplo, o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, e a campanha pela independência do Tibete. Aquiescer à ditadura foi o pedágio pago pela empresa americana para ingressar no maior mercado mundial da internet, com 400 milhões de pessoas conectadas. Na semana passada, o Google anunciou que fechará as portas em Pequim, num reconhecimento de que não conseguiu dobrar o regime chinês, como imaginara. É a primeira grande empresa estrangeira a tomar tal iniciativa. A decisão ocorre dois meses depois de hackers – supostamente a trabalho do governo comunista – terem invadido contas do Gmail, o e-mail do Google, pertencentes a ativistas pró-democracia. Agora, quem tenta entrar na versão chinesa do site é redirecionado para o Google de Hong Kong, ex-colônia britânica que, mesmo depois de ter sido devolvida à China, em 1997, ainda preserva valores como a liberdade de expressão.

Em meio à tormenta da crise mundial, a China tornou-se a boia de salvação para diversas empresas internacionais, que preferem jogar pelas regras comunistas a abrir mão do mercado que mais cresce no planeta. Mas agruras de uma companhia estrangeira ao lidar com o PCC não são novidade. Na semana passada, quatro executivos da mineradora anglo-australiana Rio Tinto foram submetidos a um julgamento pouco transparente sob a acusação de aceitar propina e de roubar segredos comerciais. Recentemente, a Apple teve de trocar seu sistema padrão do iPhone para internet sem fio, o wi-fi, pelo equivalente Wapi, compatível com a segurança nacional. Além disso, sites como YouTube, Facebook e Twitter são totalmente bloqueados. A autocensura do Google pode ter caído, mas a censura vermelha segue implacáve

Blog Archive