Friday, October 17, 2008

TERRORISMO ELEITORAL




Espero que o governador de São Paulo, José Serra, faça cumprir a lei e não deixe impune um só dos arruaceiros disfarçados de agente da lei. Refiro-me àqueles baderneiros que ontem usurparam a causa dos policiais civis e, sob orientação política do PT, da CUT e da Força Sindical, na ostensiva presença do tal deputado Paulinho (aquele do BNDES e da casa na praia), queriam invadir o Palácio dos Bandeirantes sob o pretexto de reivindicar melhores salários. É claro que já recebi muitos ataques por conta do que escrevi ontem e também algumas ameaças. Talvez não se deva esperar outra coisa de quem comparece armado a um movimento grevista e põe todo o aparelho da corporação, que pertence à população, a serviço de sua causa.

A reivindicação é justa? Pouco importa. O governo pode pagar o que eles querem? Não, porque não há orçamento pra isso. Assim, é preciso negociar. Mas sem greve. É inútil alguns radicais me lembrarem que a lei permite a greve de servidores. Não venham me dizer o que já sei. Eu discordo da lei. Já escrevi a respeito. Servidor público que faz greve prejudica o patrão, a exemplo de qualquer outro trabalhador. E seu patrão é o povo. A questão, para mim, não é só legal, é ética também: o indivíduo deveria pensar muito bem quando faz uma escolha como essa. Ninguém é obrigado a ser funcionário público. E também não é constrangido a permanecer numa profissão que lhe paga menos do que ele acha que merece. Mas sigamos.

Há outras formas de reivindicação que não virar aliado objetivo de bandido — sim, policial que faz greve negocia a vida do cidadão comum com a bandidagem. Alternem-se em passeatas em suas folgas, mobilizem seus representantes na Assembléia, promovam encontros de protesto, sei lá eu... Mas aquilo de ontem? Não! Aquilo era terrorismo. Havia policiais civis de escopeta na mão. Cadeia pra essa gente!

Um leitor do blog, policial, me manda o comentário que segue, que publiquei: Sou policial civil e sou fã do seu blog. Não gosto do Paulinho. Só não fui à manifestação porque tive que levar minha mulher, que está grávida, ao médico. Seríamos, então, 1001. Poxa, Reinaldo, quando diversas passeatas em várias capitais foram promovidas pelo seu blog, compareceram a elas não aquela multidão que, na tese do Serra, daria legitimidade ao protesto.
Concordo que houve excesso. Que se aplique a lei! Todos que estão em greve estão comparecendo às suas sedes de trabalho. Muitos, então, não poderiam estar lá.
Reinaldo, quero apenas um salário melhor. Se por um acaso estivesse numa passeata pela democracia ou pelo direito à vida, e o Paulinho estivesse também presente, eu teria que passar a ser contra a democracia e o direito à vida?
Respondo
Meu caro, eu não promovi passeatas. Até poderia. Mas não promovi. O que fiz aqui foi noticiar as que houve. Acho que você pode e deve querer um salário melhor. Eu nunca deixei de querer. E, quando fui patrão, nunca achei errado que as pessoas o quisessem. Mas há maneiras decentes e indecentes de reivindicar. Manifestação para invadir sede do governo? Promovida por policiais armados? Inaceitável! Absurdo!

A sua questão, no último parágrafo, parece boa, mas é só uma armadilha da falsa lógica. Somos todos, os homens de bem ao menos, favoráveis à democracia e ao direito à vida, não é mesmo? E, suponho, uma manifestação como essa não poria em risco a segurança de ninguém. Mas o que se viu ontem, meu caro? Parlamentares insuflando homens armados a entrar em confronto com a Polícia Militar. Ademais, está documento de modo inequívoco: as agressões partiram daqueles que se diziam grevistas — muitos deles nem mesmo eram da Polícia Civil.

A CUT, que, em seu site, praticamente assume a atuação no episódio (ver post de ontem?, nem mesmo tenta fingir. O ataque é feito ao PSDB, evidenciando que se trata, efetivamente, de uma luta partidária. Enquanto o confronto se dava ali, com risco real de haver mortos — e enquanto cidadãos estavam certamente menos seguros, já que uma parcela da Polícia não trabalhava, e outra se ocupava de reprimi-la —, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) atacava violentamente o governador José Serra em entrevista à Band (falo sobre ele no post abaixo).

Façam uma pesquisa na Internet. Não é a primeira vez que petistas e aliados promovem greves de servidores públicos em ano eleitoral. Há, claro, nessa prática um certo cálculo tipicamente sindical: “O cara vai ficar com medo de ter a imagem prejudicada e vai ceder”. Mas é óbvio que há uma manipulação política da causa, e trabalhadores são usados como massa de manobra de quem pretende alcançar efeitos eleitorais.

Não! Inaceitável! O cidadão deve temer um policial que participa de um ato como esse. Já não basta que ele não esteja trabalhando, usando inocentes como instrumento de chantagem? É preciso também vê-lo a promover a baderna?

Espero que o governador faça a coisa certa:
1 – não negociar com policias grevistas sob nenhuma hipótese;
2 – dar início agora, e não depois, à punição daqueles que ostensivamente se exibiram de arma na mão;
3 – punir, quando identificados, todos aqueles que usaram veículos da Polícia Civil para dar sustentação à baderna.

Não há a menor dúvida: o que se viu ontem foi uma tramóia eleitoral. O policial que, estando lá, ignorava tal fato, foi manipulado. Mas, suspeito, também nesse caso, os tiros saíram pela culatra.

Penúltima questão: a evidência de que se trata de um movimento político está na reivindicação para a deposição do secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão. Desde quando os sindicalistas da polícia decidem isso?

E última: um delegado, aos berros, dizia que ele não era despesa. É, sim, senhor! Se não sabe disso, não deve nem carregar uma arma. Seria uma temeridade. Salário, meu senhor, entra na categoria “despesa”. E o governo tem de fazer de modo a compatibilizá-la com o Orçamento.

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