Showing posts with label BLOG Noblat. Show all posts
Showing posts with label BLOG Noblat. Show all posts

Saturday, November 08, 2008

E se... Obama fosse brasileiro Isolda Herculano

BLOG Noblat,


Estive pensando aqui comigo: se acaso Barack Hussein Obama tivesse nascido no Brasil, sua possível condição de negro à frente da presidência da República poderia ser amplamente contestada. Primeiro porque o garoto Obama, filho de mãe branca, teria a opção de se autodenominar entre as subdivisões raciais brasileiras: mulato, pardo, mestiço etc. Explico melhor, para não parecer racista.

Um dos grandes defeitos do povo brasileiro é o medo da própria negritude. E não que seja infundada a razão para o tanto temor: ser negro no nosso país é enfrentar o preconceito a uma distância bem mais curta do que julgamos que ela possa chegar. Já escutei (no ônibus, pra variar) um menino negro dizer "eu sou o mais branco lá de casa", como se aquilo lhe rendesse um status inalcançável pelos irmãos de sangue e raça. As variações "negão" e "neguinho", usualmente, também aludem à intensidade da cor da pele – para que se perpetue a diferença entre ser mais e menos negro.

Nos Estados Unidos não há esse tipo de diferenciação: negros são negros, jamais mulatos (palavra derivada de "mula", inclusive). É claro que o preconceito por lá também existe, e explícito quando bairros inteiros são reservados à raça negra e aos latino-americanos, para dar dois exemplos bem comuns. Já no Brasil, a ascensão social é capaz de embranquecer a descendência negra de qualquer um; alguns negros se casam com brancas (geralmente louras) para dar início ao processo de clareamento da própria família; e além disso tudo, o Censo 2004, mostrou uma realidade de 93 milhões de brasileiros se considerando brancos, enquanto apenas 11 milhões se diziam negros. Uma ilusão de pernas curtíssimas.

Como se pode perceber, um Obama nascido no Brasil teria todas as chances de ser descaracterizado da raça negra sob a égide do cidadão pardo ou coisa que o valha. A não ser que precisasse entrar na universidade usando o discutível sistema de cotas. Mas aí já é outra história.

Isolda Herculano, 24 anos, é jornalista baiana radicada em Maceió. Escreve desde sempre, mas foi quando conheceu os blogs, em 2004, que pôde se aventurar pelo mundo das crônicas, sob a influência direta dos Rubens - Braga e Fonseca. Ela tem dois blogs: www.malajornalistica.blogger.com.br e
www.isolda.blogger.com.br

Sunday, September 02, 2007

Menos, Jobim. Menos.por Ricardo Noblat


Assanhadinho, esse Jobim.


Como ministro da Defesa, deveria se ater aos muitos problemas que tem. E não ignorar que levou um chega-pra-lá do Comandante do Exército por ter dito na semana passada que nenhum militar ousaria reagir ao lançamento pelo governo do livro sobre as vítimas da ditadura militar de 64.


Pois o Comandante convocou a Brasília os 14 generais que fazem parte do Alto Comando do Exército e emitiu nota a respeito. É irrelevante que Jobim e Lula tenham tido conhecimento prévio dela. O conteúdo da nota é político. Pelos militares falam Lula e Jobim. Era o que se pensava.


Pois agora Jobim faz uma visita de solidariedade a Renan Calheiros, no momento o político mais enlameado do país, e sai de lá defendendo que o Congresso apresse o julgamento de Renan. É o que deseja o próprio Renan, certo de que será absolvido.


O coordenador político do governo atende pelo nome de Mares Guia. É ministro das Relações Institucionais. Por sinal havia dito outra dia o que Jobim agora repete. No passado, Jobim foi sócio do escritório de advocacia que defende Renan. Para que se expor a ilações maldosas?


Como presidente do Supremo Tribunal Federal, Jobim procurou líderes políticos durante a crise do mensalão para pedir que fossem comedidos. Para aconselhar a que não pusessem em risco a governabilidade. Foi outro fora que deu.


Ministro do Supremo não tem que se meter com política. Menos ainda com matéria política que poderá ficar sujeita mais tarde ao seu julgamento.


Menos, Jobim. Menos. Para o seu próprio bem.


VOLTAR

Blog Archive